A Meta anunciou a chegada dos usernames no WhatsApp — um identificador público escolhido pelo próprio usuário, parecido com o que já existe em outras redes sociais. Com esse recurso, o consumidor poderá conversar com empresas sem revelar o número de telefone.
O lançamento começa no Brasil a partir de junho de 2026, com expansão global prevista ao longo do segundo semestre. Para quem opera o WhatsApp como canal de negócio, o impacto começa antes.
O que é o @username no WhatsApp e por que a Meta criou isso
O @username é um nome de usuário escolhido pela própria pessoa — algo como @joaosilva ou @maria.souza. Na prática, funciona como uma identidade pública dentro do aplicativo, separada do número de telefone.
A mudança responde a uma preocupação crescente entre os usuários: controle sobre dados pessoais. Para muitas pessoas, compartilhar o número com uma empresa já parece informação demais, especialmente em interações iniciais — dúvidas, buscas por produtos ou atendimento pontual.
Para empresas, isso muda o ponto de partida de boa parte das jornadas conversacionais.
O que é o BSUID e por que ele passa a ser relevante para operações
Quando um usuário com @username inicia uma conversa, o campo de telefone no webhook pode chegar vazio. No lugar dele, entra o BSUID — sigla para Business-Scoped User ID.
Em termos simples: é um identificador único gerado pela Meta para cada relação entre cliente e empresa no WhatsApp. O mesmo usuário terá um identificador diferente para cada empresa com que conversa.
Três características tornam esse dado estratégico:
- É único. Dois clientes diferentes não terão o mesmo BSUID dentro da sua operação.
- É estável. Se o cliente trocar de @username, o BSUID permanece o mesmo. Em alguns cenários, pode ser mais confiável do que o telefone — números podem ser trocados, reciclados ou mudar de titularidade.
- É escopado por empresa. Uma marca não consegue usar o BSUID para cruzar informações com outra empresa. Cada relação cliente-empresa tem seu próprio identificador.
Importante: o BSUID não é uma mudança futura. Desde abril de 2026, ele já aparece em todos os webhooks da Cloud API — mesmo para usuários que ainda não adotaram @username. Essa é a janela de preparação disponível agora.
O formato segue uma estrutura com código do país, um ponto e até 128 caracteres alfanuméricos. Para clientes brasileiros: BR.xxxxxxxxxxxxxxxxx.
Linha do tempo: o que acontece e quando
| Quando | O que muda | O que isso significa para a operação |
|---|---|---|
| Abril de 2026 | BSUID aparece nos webhooks da Cloud API | Empresas podem começar a capturar e armazenar o identificador |
| Maio de 2026 | Meta passa a permitir novos usos do BSUID em jornadas específicas | O BSUID começa a ter papel ativo na continuidade de conversas |
| Junho de 2026 | Início dos testes com @usernames no WhatsApp | Alguns usuários poderão conversar sem revelar o telefone |
| 2º sem. de 2026 | Expansão gradual da disponibilidade global | A adoção tende a crescer e impactar mais jornadas de entrada |
Telefone, @username e BSUID: o papel de cada um
Os três identificadores passam a conviver. Nenhum elimina o outro — cada um cobre um conjunto diferente de situações.
| Identificador | Para que serve | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Telefone | Identificar contato, autenticar, ativar bases existentes | Pode não estar disponível em conversas com @username |
| @username | Permitir conversa sem revelar o telefone | Pode mudar com o tempo — não deve ser a única chave de identificação |
| BSUID | Manter continuidade da conversa mesmo sem telefone | Precisa ser armazenado e associado ao perfil do cliente no CRM |
Os três cenários que sua operação vai encontrar
Com a chegada dos @usernames, as conversas no WhatsApp tendem a se dividir em três situações:
Cenário 1 — O cliente não adotou @username
A experiência segue praticamente igual à atual. O telefone continua disponível. O BSUID também passa a ser enviado no webhook.
Cenário 2 — O cliente adotou @username, mas a empresa já tinha o telefone dele
Nesse caso, a empresa pode continuar recebendo telefone, BSUID e @username. A Meta disponibiliza esse vínculo dentro de uma janela de 30 dias após a última interação com número.
Cenário 3 — O cliente adotou @username e ainda não tem histórico com a empresa
O campo de telefone pode chegar vazio. O BSUID passa a ser o único identificador disponível para dar continuidade à conversa. Esse cenário tende a aparecer primeiro nas interações de maior valor — leads vindos de anúncios Click to WhatsApp, novos clientes digitais, buscas orgânicas, QR codes e links diretos para o WhatsApp.
O que é o Contact Book e como ele ajuda na transição
Para suavizar essa mudança, a Meta lançou o Contact Book — uma camada que constrói automaticamente o vínculo entre telefone e BSUID ao longo do tempo.
Quando um usuário interagiu com a empresa e o telefone estava disponível, esse vínculo fica armazenado. Se esse mesmo cliente adotar um @username no futuro, a Meta pode continuar retornando o telefone junto com o BSUID — desde que a última interação tenha acontecido dentro da janela de 30 dias.
O Contact Book reduz parte do impacto sobre a base ativa. O desafio maior está em dois grupos: novos clientes que chegam pela primeira vez já usando @username e contatos antigos com histórico desatualizado.
O que muda na forma de pensar identidade no WhatsApp
A operação conversacional foi construída, por muito tempo, com base em uma lógica simples: o telefone identifica o cliente. A partir dele, tudo se conecta.
Agora, essa lógica precisa ser mais flexível. Identificar bem o cliente no WhatsApp passa a envolver a combinação entre telefone, @username, BSUID, histórico de conversas e origem da interação.
Isso muda como a operação reconhece clientes ao longo da jornada. Muda como mantém contexto entre conversas separadas por dias ou semanas. Muda como aciona automações, campanhas de reengajamento e fluxos de recuperação.
A pergunta que gestores precisam fazer agora: minha operação consegue reconhecer o cliente e continuar a conversa mesmo quando o telefone não está disponível?
Empresas com múltiplas marcas ou operações: um cuidado a mais
Como o BSUID é vinculado por portfólio na Meta, o mesmo cliente pode ter identificadores diferentes em cada operação. Grupos com marcas distintas, unidades regionais separadas ou estruturas comerciais paralelas precisam mapear isso antes da mudança ganhar escala.
A Meta prevê o Parent BSUID para unificar a identidade do cliente sob um portfólio-pai, mas isso exige que os portfólios estejam vinculados corretamente na conta da empresa.
O que não muda
O telefone não vai desaparecer do WhatsApp. Clientes que não adotarem @username continuam gerando conversas identificadas pelo número. Bases existentes com telefone conhecido continuam funcionando normalmente. Templates de autenticação — verificação de identidade, envio de código, confirmação de acesso — continuam exigindo telefone.
A mudança mais relevante está nos novos contatos, especialmente leads que chegam pela primeira vez via anúncio, busca ou interação inicial.
Como se preparar antes que a mudança ganhe escala
O impacto dos @usernames não chega de uma vez — a adoção será gradual. Mas os primeiros usuários a adotar tendem a ser exatamente o perfil mais valioso para operações conversacionais: consumidores digitais, atentos à privacidade, acostumados a interagir com marcas pelo WhatsApp.
Empresas que chegarem em junho já com o BSUID sendo capturado e associado ao CRM vão absorver a transição sem perda de contexto. As que esperarem vão perceber o problema pelo sintoma: registros duplicados, automações que deixam de funcionar para parte da base e conversas que perdem continuidade.
Para entender como adaptar os fluxos e o CRM da sua operação a essa mudança, o próximo passo está no guia de adaptação operacional para o BSUID.
